Artigo de opinião – Beto Algria

Artigo de opinião – Beto Algria

 

E-mail:gabinetebetoalegria@hotmail.com

Perigo real: a dengue está de volta

A epidemia da dengue pode estar chegando ao ponto mais ameaçador. Dados recentes divulgados pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) revelam que Minas Gerais já contabiliza 31.436 notificações. No ano passado foram 23.103 registros. O número de mortes em decorrência da doença chegou a seis. Outras 21 são investigadas.

De acordo com estudos científicos patrocinados pela Organização das Nações Unidas (ONU) mostram que, enquanto taxa de letalidade da covid-19 varia de 0,04% a 11%, o índice de letalidade da dengue é de 0,05%.  À primeira vista, pode parecer que a enfermidade transmitida pelo Aedes aegypti não é tão perigosa, se comparada ao novo coronavírus. No entanto, continua matando em todas as regiões do país e em todos os cortes populacionais.

No século passado,por duas ocasiões o Aedes aegypti, vetor da dengue, desapareceu das áreas urbanas do país. Nas décadas de 30 e 50, o foco era o combate à febre amarela, transmitida pelo mesmo mosquito. Em 1957, a espécie foi declarada erradicada do Brasil, na CV Conferência Sanitária Panamericana.

Contudo, desde a reintrodução do Aedes aegypti no Brasil, na década de 1980, passou a existir um evidente risco de retorno da transmissão da febre amarela em áreas urbanas e, agora, com a medicina a anos-luz da praticada do início do século passado, vivemos assombrados por mais uma epidemia de dengue.

O enfrentamento ao vetor é uma das estratégias na luta contra a dengue. A proliferação da espécie é favorecida pelo clima e por um certo relaxamento dos serviços de vigilância sanitária. O inseto se espalhou nas áreas urbanas, apesar de sua autonomia de voo ser, em média, de apenas 30 metros (o que, em tese, facilita o cerco). A capacidade de multiplicação é fantástica: de ovo à fase adulta são sete dias; o mosquito vive em média 45 dias e produz até 100 ovos durante sua existência.

O combate deve ser feito eliminando os mosquitos adultos e eliminando os criadouros de larvas. Outra medida é melhorar a assistência nos postos e unidades de saúde. Os municípios devem investir no primeiro atendimento, evitando a sobrecarga de hospitais e pronto-socorros. Tantos cuidados são necessários porque a situação é muito mais grave do que demonstram as estatísticas oficiais. O número de casos notificados não representa a realidade, já que para um grupo de dez pessoas, apenas uma apresenta sintomas.

Diante de números tão avassaladores, é necessário destacar que a epidemia não deve ser enfrentada com olhos no calendário eleitoral. Não dá para minimizar o problema, nem escamotear os números alarmantes da dengue hemorrágica. O perigo é real e imediato e exige mobilização das autoridades e da população.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *