
Insensibilidade, redução da assistência aos mais pobres, violência e ódio contra quem depende das políticas assistenciais do estado, tergiversar retirando o foco, esconder limitações cognitivas e intelectuais sob o manto de bravatas de um pseudoautoritarismo com apelo fantasioso reacionário à 1964, o ataque e a fustigação das esquerdas num claro projeto que envolvia naquela altura lawfare, fake news, o juiz Sérgio Moro se instrumentalizando como expoente político, abandonando princípios como isenção e imparcialidade, a imprensa mostrando processos, vazamentos sem aprofundar com a devida apuração naquilo que dizia, pois os números da audiência por vezes atropelaram o jornalismo firme e sério em seus princípios e nortes, projeto de desgoverno e muito… muito ódio. Ódio a ponto de literalmente cegar a capacidade de refletir claramente os rumos,os meios e as possibilidades de saída da crise econômica e moral que açoitava e machucava boa parte das esperanças de nosso povo brasileiro. Além disso o diálogo ainda estava num mundo binário preto/branco, rico/pobre, um fantasioso combate a um comunismo que saiu de cena há algum tempo. Boa parte dos nossos irmãos brasileiros naquela altura de 2018 sofria da doença que José Saramago escreveu em Ensaio Sobre A Cegueira, ou já havia escrito em História do Cerco de Lisboa e reescreveria dando um norte de pessimismo-historiado-realista em Ensaio Sobre a Lucidez. Cegueira, em maior ou menor profundidade e intensidade…cegueira. Houve ainda a greve dos caminhoneiros que paralisara todo o país, sem dizer do noticiário de mostras de malas de dinheiro, 50 milhões pra lá, 100 milhões pra cá e assim por diante; e literalmente.
Fomos limitados da nossa capacidade de pensar em meio a ataques. Falar em políticas, direitos, constituição, liberdade; naquela altura era algo alijado, por vezes até perigoso. Tempos sombrios típicos da depressão após retrocessos na capacidade comprar e pagar de boa parte da população. Para uns o que estava muito ruim poderia piorar, para outros o ressentimento por causa da perda econômica, do desemprego promoveu um sentimento anti- PT. Poucos se ocuparam em atuar para mostrar projetos de uma nação adoecida claramente em sua confiança e em sua esperança. Como geralmente um abismo chama outro abismo, a luz acesa do caos trouxe para o epicentro das decisões políticas enfrentamento, ódio, guerra cultural e mais caos. O projeto de caos foi exposto claramente. Ninguém pode em sã consciência afirmar que não sabia, desconhecia, nunca ouviu falar, foi muito explícito a apresentação ao Brasil de um projeto de ataque às instituições, omissões, terceirização de responsabilidades e atitudes antidemocráticas. Não havia capacidade de governar. Sempre manifestações para tirar o foco… e uma recusa a apresentar a governança.
Aprendemos bastante com a anterioridade a 2018, com o ato eleitoral do mesmo ano e continuamos aprendendo com o pós 2018. Realidades. Necessidades. Primazias. Essencialidades…